quinta-feira, 21 de setembro de 2017

“Memórias Contemporâneas” discute arte e cultura popular



O artista plástico baiano J. Cunha e a curadora alemã Nadine Siegert se reúnem para discutir “Arte e cultura popular: produção e mercado local x internacional” na 4ª edição do projeto “Memórias Contemporâneas” realizada conjuntamente pela Fundação Pedro Calmon (FPC), entidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), e o Goethe-Institut Salvador-Bahia. O evento será no dia 25 de setembro (segunda-feira), às 19h, na Biblioteca do Goethe-Institut, com mediação do videoartista, professor e pesquisador Danillo Barata. O debate é aberto ao público, com entrada franca.



Instituído pelo Centro de Memória da Bahia da FPC, o “Memórias Contemporâneas” é um projeto nas áreas de história e memória que objetiva a constituição de um banco de dados audiovisual acerca da cultura e seus agentes, a partir da década de 1950. Os encontros, que se atentam à relação de organizações e movimentos sociais com o campo da cultura e o protagonismo das linguagens artísticas nas disputas identitárias, são registrados em vídeo. Pondo em diálogo agentes convidados e o público, o pensamento calcado na memória é difundido, gerando, assim, outra fonte de conhecimento que não apenas os documentos escritos. A parceria entre a FPC e o Goethe-Institut atribui ao projeto o compromisso de desenrolar temas de reflexão a partir de experiências globais, perpassando as relações de poder na contemporaneidade na discussão de pautas urgentes.

CONVIDADOS – O soteropolitano José Antonio Cunha, ou simplesmente J. Cunha, iniciou seus estudos aos 18 anos no curso livre da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Artista plástico, designer gráfico, cenógrafo e figurinista, participou de importantes bienais de artes plásticas e de exposições individuais e coletivas, entre elas o evento “The Refugee Project”, no Museu de Arte Africana de Nova York, em 1997, e “Exposição de Arte Contemporânea: As Portas do Mundo”, na Europa e na África, em 2006. Seu trabalho se caracteriza pelo mergulho no imaginário das culturas afro-indígenas e popular nordestina brasileira, através da pesquisa, assimilação e transformação num universo próprio, mítico e mágico, simbólico e intuitivo. Autor de inúmeras marcas e logotipos, ilustrações para livros e capas de discos, estamparias, ambientações de shows e eventos, J. Cunha tem ainda o seu nome definitivamente vinculado ao carnaval, por haver criado e assinado a concepção visual e estética do bloco Ilê Aiyê durante 25 anos, além de instigantes decorações temáticas para o carnaval de rua de Salvador. Participou da Bienal Internacional de “Design de Saint Étienne”, na França, e também da exposição “Design Brasileiro – Fronteiras 2009”, no Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Nadine Siegert é chefe adjunta do Iwalewahaus, museu e centro de pesquisa da Bayreuth Universität (Alemanha). Está na capital baiana como residente do Programa de Residência Artística Vila Sul do Goethe-Institut Salvador-Bahia, sendo bolsista da Robert Bosch Stiftung. Estudou Etnologia, Filosofia e Sociologia na Johannes Gutenbert Universität Mainz (Alemanha). Em 2006, transferiu-se para a Bayreuth Universität, onde trabalhou como pesquisadora em projetos de pesquisa para artes midiáticas na Iwalewahaus e como curadora de exposições sobre arte contemporânea africana. Em 2013, concluiu doutorado em Arte Contemporânea em Angola, pela Bayreuth International Graduate School of African Studies. Desde 2016, coordena o projeto de pesquisa “African Art History and the Formation of a Modernist Aesthetic” (‘História da Arte Africana e a formação de uma Estética Modernista’) e investiga a estética socialista na África, especialmente a iconografia de militantes femininas na África lusófona. Suas curadorias de exposições mais recentes foram: “Mashup” (2015), “Things Fall Apart” (2016) e “FAVT: Future Africa Visions in Time” (desde 2015) – esta última, com edição aberta em Salvador, intitulada “FABVT: Future Afro Brazil Visions in Time”, de 15 de setembro a 6 de outubro, na Galeria do Goethe-Institut, no Corredor da Vitória. Mais informações aqui.

Danillo Barata é doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC São Paulo, mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e diretor do Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas (CECULT) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), além de professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da UFRB e professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (PPGAV) na Escola de Belas Artes da UFBA. Videoartista, é autor de uma obra que tem como centro a relação entre corpo e câmera, corpo e sistema da arte, corpo e mundo. Em 2016, recebeu o Bayreuth International Junior Fellowship em reconhecimento à sua contribuição à pesquisa e ensino na área de estudos africanos, pela Bayreuth Universität (Alemanha). Em 2006, recebeu o prêmio aquisição no 13º Salão do MAM Bahia e, em 2007, o Prêmio Videobrasil WBK Vrije Academie no 16º Festival Internacional de Arte Eletrônica (Videobrasil).

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