segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Quatro mulheres são novas residentes da Vila Sul do Goethe-Institut


Artistas estrangeiras de atuações diversas chegam a Salvador para estadia no Programa de Residência Artística Vila Sul do Goethe-Institut Salvador-Bahia. De outubro a dezembro, o grupo desta temporada é formado apenas por mulheres: a designer Adama Amanda Ndiaye, a fotógrafa Ángela Bonadies, a curadora e escritora Marina Fokidis e a artista multidisciplinar Pauchi SasakiElas terão oportunidade de vivenciar a rotina soteropolitana, interagindo com suas práticas e agentes culturais, instaladas em apartamentos construídos no último andar da sede do instituto, contando com toda sua estrutura física e articulações locais.

Oficialmente inaugurada em novembro de 2016, a Vila Sul é a terceira residência artística no âmbito geral das 159 unidades do Goethe-Institut existentes no planeta, e primeira e única da rede no “sul global”, abaixo da Linha do Equador. A sua proposta é fortalecer interlocuções entre o Brasil e demais países do hemisfério Sul a partir da presença de artistas de todo o mundo, genuinamente interessados em perspectivas sociopolíticas e culturais desta metade do planeta. Entre 2016 e 2017, 35 artistas e agentes culturais já experimentaram esta oportunidade. 



Nascida na República Democrática do Congo e residente entre Dakar (Senegal), Los Angeles (EUA) e Paris (França), Adama Amanda Ndiaye, que recebe bolsa do Goethe-Institut Dakar para esta residência, é a talentosa designer e empreendedora atrás da marca Adama Paris, onde incorpora o designer multicultural do novo milênio. Sua estadia na Bahia será de 19 a 29 de novembro. Ela fez de diversas cidades de diferentes países a sua casa, permitindo-lhe testemunhar uma enorme variedade de tendências através dos anos. Sua odisseia global inspirou o espírito de seu trabalho: fashion feito na África para o mundo. Megalópoles urbanas são a fonte de inspiração para esta jovem cidadã afropolitana do século XXI. Adama Paris não constitui apenas um caminho dinâmico e elegante de vestir, mas também o espírito da mulher contemporânea, conectando culturas e contemplando aquelas que se recusam a ser definidas por uma imagem demasiadamente limitada e muitas vezes controlada. Imbuída do desejo de compartilhar fashion e de criar pontes multiculturais, Adama lançou muitos eventos, como a “Dakar Fashion Week”, há 15 anos, e, em 2010, a “Black Fashion Week”, em Praga, Montreal e Nova Iorque, além dos “Africa Fashion Awards”, os troféus da moda africana. Em 2014, ainda lançou no Senegal a “Fashion Africa TV” (FA TV), primeiro canal de televisão 100% dedicado à moda africana, exibido em 44 países da África, 33 países da Europa e 13 da América. Assim, Adama é uma fashion ativista que quer colocar a moda feita na África no mapa da moda mundial e também dar visibilidade à mulher negra na luta contra a discriminação e falta de oportunidades existentes nesta indústria.

A fotógrafa venezuelana Ángela Bonadies é uma artista cujo trabalho está focado em memória, arquivo, espaço urbano e pensamentos sobre a imagem fotográfica. Sua residência em Salvador, de 17 de outubro a 10 de dezembro, é viabilizada com bolsa do Goethe-Institut Caracas. Ela realizou diversas exposições na Venezuela e em países como Estados Unidos, Espanha e Alemanha. Recebeu o “Prêmio Latinoamericano de Fotografia Josune Dorronsoro”, em 2004, e a “Ayuda a la Creación”, em 2008, oferecida pelo centro de criação Matadero Madrid. Seu projeto “La Torre de David” recebeu o reconhecimento “Best Architecture and Landscape Projects 2011” (Melhor Projeto de Arquitetura e Jardinagem 2011), promovido pela revista Polis e pelo site DomusWeb. Em 2016, foi convidada como artista residente da “18th Street Arts Center”, em Santa Monica, Califórnia, em conjunto com o Los Angeles County Museum of Art (LACMA), para participar da exibição “A Universal History of Infamy / Pacific Standard Time: LA/LA” (2017-2018).

Radicada em Atenas, na Grécia, Marina Fokidis é curadora e escritora, contando com bolsa do Goethe-Institut São Paulo para esta residência, de 16 de outubro a 29 de novembro. Em 2014, foi diretora do escritório artístico Atenas e curadora-conselheira do “documenta 14”. Fundou a “Kunsthalle Athena und South as a State of Mind”, revista bianual de arte e cultura. Em 2011, foi uma das curadoras da “3ª Bienal de Thessaloniki”. Também foi comissária e curadora do pavilhão grego da “51ª Bienal de Veneza”, em 2003, e uma das curadoras da “1ª Bienal de Tirana”, em 2001. Foi ainda curadora-adjunta no Art Space Phytagorion da Schwarz Foundation, onde selecionou apresentações individuais com trabalhos recém-comissionados por Slavs e Tatars (2013) e Nevin Aladag (2014). De 2001 a 2008, atuou como codiretora da Oxymoron, uma organização sem fins lucrativos de Atenas, dedicada à promoção das artes visuais contemporâneas na Grécia em nível internacional. Escreveu ensaios para diferentes coleções editadas, para artistas, catálogos de exposições, revistas e publicações internacionais de arte. Também participou de muitas conferências e discussões internacionais, incluindo “Arco 2010”, “Art Basel Conversations 2013”, “Global Art Forum”, “Art Dubai 2014”, “Bienal de Liverpool 2016” e “Bienal de São Paulo” (2014 e 2016). Foi membro do corpo de jurados de vários prêmios e fará parte do júri internacional do “Videobrasil 2017”. Ainda foi membro associada da Akademie Schloss Solitude, um programa internacional de residências artísticas, e atualmente é integrante da AICA (Association Internationale des Critiques d’Art).

Do Peru, a artista multidisciplinar Pauchi Sasaki tem bolsa do Goethe-Institut Lima para a residência na capital baiana, de 16 de outubro a 2 de dezembro. Ela foi descrita pela revista norte-americana “The Wire” como uma artista “com coragem de trabalhar dentro de diferentes disciplinas e sem restrições estilísticas”. Seus conhecimentos interdisciplinares integram composição musical com design multimídia, novas tecnologias e design de instrumentos, em busca da incorporação da performance à música eletrônica. Compositora, performer e improvisadora, sua música recria paisagens subjetivas íntimas através da mixagem de sonoridades eletroacústicas com gravações da natureza e sintéticas, influenciadas por estéticas de improvisação e tradições étnicas. Ativa compositora de música incidental para cinema, as trilhas de Pauchi Sasaki figuram em mais de 30 longas e curtas-metragens.

foto: Omar Viktor
- Data: outubro 16, 2017 / Por: Antônio Melo | Comente!  Edit

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