segunda-feira, 24 de setembro de 2018

CineDiálogo: desigualdade social, racismo e relações familiares são temas da primeira semana


O projeto CineDiálogo – Conversando o Cinema vai começar. Em sua primeira edição, a iniciativa surge para estimular a relação entre a arte cinematográfica e a educação, reunindo alunos, professores e coordenadores de escolas públicas e privadas de Salvador. A programação ocupa o Saladearte Cine Paseo, no bairro do Itaigara, e aborda temas sociais urgentes, proporcionando às comunidades escolares a oportunidade de reflexão e aprendizado a partir da experiência em cinema, exibindo filmes nacionais e curtas-metragens baianos da produção atual. Na semana inicial, as sessões serão nos dias 25, 26 e 27 de setembro, para tratar de desigualdade social, racismo e relações familiares com os longas “Era o Hotel Cambridge” (Elaine Caffé, 2016), “O caso do homem errado” (Camila de Moraes, 2017) e “Como nossos pais” (Laís Bodanzky, 2017), seguidos de debates com convidados. O projeto, realizado pelo Circuito Saladearte, segue até 18 de outubro e tem patrocínio da Unijorge por meio do Programa de Incentivo à Cultura Viva Cultura, da Fundação Gregório de Mattos e Prefeitura de Salvador.


A estreia dos encontros, na manhã do dia 25, é com o Colégio Estadual Thales de Azevedo. Depois de assistirem ao filme “Era o Hotel Cambridge”, que traça um mosaico dos problemas sociais a partir de um antigo hotel de luxo de São Paulo abrigado por famílias de refugiados e sem teto, o debate sobre desigualdade social será com a professora Rosana Junqueira, mestre em Literatura e Cultura. Na tarde de quarta-feira, é a vez da Villa – Campus de Educação conferir “O caso do homem errado”, que aborda a questão do racismo ao revelar a história de Júlio César de Melo Pinto, operário negro que foi executado em Porto Alegre pela Polícia Militar nos anos 1980. O bate-papo posterior será com a própria diretora do filme, Camila de Moraes. Encerrando a primeira semana, na manhã de quinta, as relações familiares aparecem em “Como nossos pais”, que concilia temas ancestrais, como a ligação entre mãe e filha, e questões contemporâneas, de anseios e conflitos da mulher que constituem uma nova onda feminista. Moisés Oliveira Alves, professor e doutorando em Literatura e Cultura, mediará a conversa com os jovens do Colégio Estadual Helena Matheus.

CineDiálogo continuará entre os dias 2 e 4 e por fim de 16 a 18 de outubro, e inclui também as temáticas de precarização do trabalho, linchamentos virtuais e intolerância religiosa. Cerca de 1 mil pessoas serão beneficiadas pela iniciativa, que também propõe ser um espaço inclusivo: haverá sessão com intérprete de Libras, garantindo a acessibilidade de pessoas surdas. “Cinema e educação são a base do CineDiálogo, não apenas por criar e renovar o público, mas também, e principalmente, porque através do cinema podemos dialogar sobre as questões mais diversas”, resume Marcelo Sá, diretor de projetos do Circuito Saladearte.

A escolha de longas-metragens nacionais se deve ao significativo crescimento da qualidade do cinema brasileiro que ressurgiu nos últimos 20 anos. “No processo de curadoria, consideramos filmes que suscitam diálogos sobre temáticas que circulam na contemporaneidade, seja a partir da análise dos códigos da criação cinematográfica, seja pela leitura dos afetos que o cinema, enquanto potência artística, produz”, explica Midian Garcia, uma das curadoras do projeto, Pró-Reitora Acadêmica e coordenadora do Grupo de Iniciação Científica em Estudos Cinematográficos da Unijorge.

ESCOLAS PARTICIPANTES – A primeira edição do CineDiálogo reunirá 10 instituições de diferentes regiões da cidade, sendo quatro de ensino público – Colégio Estadual Góes Calmon (Brotas), Colégio Estadual Helena Matheus (São Cristóvão), Colégio Estadual Thales de Azevedo (Costa Azul) e Instituto Central de Educação Isaías Alves – ICEIA (Barbalho) –, cinco escolas particulares – Centro Educacional Vitória Régia (Cabula), Colégio Antônio Vieira (Garcia), Colégio Integral (Pituba), Colégio Sacramentinas (Campo Grande) e Villa – Campus de Educação (Paralela) –, além da Associação Educacional Sons no Silêncio (AESOS), do Imbuí, focada na inclusão social de cidadãos surdos.

SELEÇÃO DE FILMES – Em torno da temática de desigualdade social, o filme “Era o Hotel Cambridge” (2016), de Elaine Caffé, traça um mosaico dos problemas sociais a partir de um antigo hotel de luxo de São Paulo abrigado por famílias de refugiados e sem teto. Na pauta da precarização do trabalho, “Arábia” (2017), de Affonso Uchoa e João Dumans, é um retrato da classe trabalhadora brasileira, do trabalho marginalizado e das difíceis possibilidades de melhorias de condições de vida oportunizadas para grande parte da população. “O caso do homem errado” (2017), de Camila de Moraes, aborda a questão do racismo ao revelar a história de Júlio César de Melo Pinto, operário negro que foi executado em Porto Alegre pela Polícia Militar nos anos 1980. “Aos teus olhos” (2017), dirigido por Carolina Jabor, reflete sobre os linchamentos virtuais apresentando um professor que passa a ter que lidar com a denúncia irresponsável de pais de um aluno. Para tematizar a intolerância religiosa, “ALÁPINI: A herança ancestral de Mestre Didi Asipá” (2017), dirigido por Emilio Le Roux, Hans Herold e Silvana Moura, é um documentário acerca de Mestre Didi, em homenagem ao seu centenário. Por fim, as relações familiares aparecem em “Como nossos pais” (2017), de Laís Bodanzky, que concilia temas ancestrais, como a ligação entre mãe e filha, e questões contemporâneas, de anseios e conflitos da mulher que constituem uma nova onda feminista.

CURTAS BAIANOS – Com objetivo de aproximar os estudantes da produção cinematográfica baiana na contemporaneidade, curtas-metragens do estado serão projetados durante o CineDiálogo. Nesta primeira semana, o público vai assistir a “Corte Seco” (2011), de Matheus Vianna; “Doido Lelé” (2008), de Ceci Alves; e “La Danza de La Maquina” (2012), de Caio Araújo.

CIRCUITO SALADEARTE – Com 18 anos de história, o Circuito de Cinemas Saladearte conta com quatro salas: duas no Cine Paseo (Itaigara), uma no Cinema da Universidade Federal da Bahia – UFBA (Vale do Canela) e outra no Cinema do Museu (Corredor da Vitória). Apresenta à cidade um formato de programação que preza pela qualidade e diversidade, com um público de aproximadamente 15 mil espectadores por mês.


- Data: setembro 24, 2018 / Por: Antônio Melo | Comente!  Edit

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